domingo, 10 de junho de 2012

VALE A PENA VIVER A VIDA HOJE


Alguns trechos da palestra de Brian Dyson, ex- presidente da Coca-Cola, que aconteceu em conferência a uma universidade americana, onde Ele falou sobre a relação entre o trabalho e outros compromissos da vida.

Imagine a vida como um jogo, no qual você faz malabarismo com cinco bolas que lançam ao ar. Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito. Trabalho é uma bola de borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima. Mas as quatro outras são de vidro. Se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entendam isso e busquem o equilíbrio na vida. Como?

1. Não diminua seu próprio valor, comparando-se com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial.

2. Não fixem seus objetivos com base no que os outros acham importante. Só você está em condições de escolher o que é melhor para você próprio.Dê valor e respeite as coisas mais queridas ao seu coração.
Apegue-se a elas como a própria vida. Sem elas a vida carece de sentido. Não deixe que a vida escorra entre os dedos por viver no passado ou no futuro. Se viver um dia de cada vez, viverá todos os dias de sua vida.

3. Não desista quando ainda é capaz de um esforço a mais. Nada termina até o momento em que se deixa de tentar.

4. Não tema admitir que não é perfeito. Não tema enfrentar riscos. É correndo riscos que se aprende a ser valente.

5. Não exclua o amor de sua vida dizendo que não se pode encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dá-lo. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.

6. Não corra tanto pela vida a ponto de esquecer onde esteve e para onde vai.

7. Não tenham medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.

8. Não use imprudentemente o tempo ou as palavras. Não se pode recuperar nenhum dos dois.

9. A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo.

10. Lembre-se: Ontem é história. Amanhã é mistério e Hoje é uma dádiva. Por isso se chama 'presente' 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

TRECHO DA CARTA SOBRE A FELICIDADE DE EPICURO A MENECEU


(...) O sábio, (...) nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal. Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido ainda que breve.
Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a espera-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.
Consideremos também que, entre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há alguns que são necessários e outros que são apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem estar corporal, outros, ainda, para a própria vida.
E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.
Consideramos ainda a auto-suficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito; honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo que é natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.
Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.
Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temor as vicissitudes da sorte.
Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma.
Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos.
De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que se originam as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade. Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DE SER VOCÊ MESMO


Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o Samurai sentiu-se repentinamente inferior.
Ele então disse ao Mestre:
- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"
O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."
Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:
- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"
O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:
- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."
O Samurai então argumentou:
- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."
E o Mestre replicou:
- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.
"Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!"
(Autor desconhecido)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O ESPELHO


- Dr. Papaderos, qual o significado da vida?
Seguiu-se a risada habitual e as pessoas se mexeram nas cadeiras, querendo ir embora.
Papaderos levantou a mão, silenciando a sala, e me olhou por um longo tempo, perguntando com os olhos se eu estava falando sério e vendo nos meus que eu estava.
- Vou responder à sua pergunta.
Ele tirou a carteira do bolso da calça, pôs a mão dentro da divisória de couro e pegou um espelho redondo bem pequeno, mais ou menos do tamanho de uma moeda de vinte e cinco centavos.
Disse então o seguinte:
Quando eu era pequeno, durante a guerra, éramos muito pobres e vivíamos em um vilarejo distante. Certo dia, na estrada, encontrei os pedaços partidos de um espelho. Uma motocicleta alemã tinha se acidentado naquele lugar.
- Tentei encontrar todos os pedaços e juntá-los, mas não era possível. Então guardei só o pedaço maior. Este aqui, que esfreguei em uma pedra, fazendo-o ficar redondo. Comecei a brincar com ele e fiquei fascinado ao descobrir que podia refletir a luz em lugares escuros, onde o sol nunca brilhava: em buracos profundos, fendas e armários. Aquilo virou um jogo para mim, levar luz aos lugares mais inacessíveis que conseguia encontrar.
- Guardei o espelhinho e, à medida que ia crescendo, eu o tirava do bolso nos momentos em que não estava fazendo nada e continuava com o desafio do jogo. Quando virei homem, comecei a entender que aquilo não era só uma brincadeira de criança, mas uma metáfora para o que eu poderia fazer com a minha vida. Acabei percebendo que não sou a luz ou a fonte de luz. Porque a luz — a verdade, a compreensão, o conhecimento — está ali e vai iluminar muitos lugares escuros se eu a refletir.
- Eu sou apenas o fragmento de um espelho do qual não conheço a forma nem toda finalidade. Mesmo assim, com o que tenho, posso refletir a luz nos lugares escuros deste mundo, sobretudo nos corações dos seres humanos, e posso mudar algumas coisas em algumas pessoas. Talvez outras pessoas me vejam fazendo isso e façam o mesmo. E para isso que eu vivo. E este o significado da minha vida.

ROBERT FÜLGHUM
(Retirado do livro “Histórias para Aquecer o Coração dos Adolescentes”)

sábado, 22 de outubro de 2011

A FOLHA DE PAPEL


Quando mais jovem, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva e na menor provocação,   explodia magoando meus amigos.
Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado.
Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas depois de uma explosão de raiva, e me entregou uma folha de papel lisa, dizendo:
- Amasse-a!
Com medo, obedeci e fiz com ela uma bolinha.
- Agora - voltou a dizer-me - deixe-a como estava antes.
É obvio que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentasse, o papel ficou cheio de pregas.
Então, disse-me o professor:
- O coração das pessoas é como esse papel... a impressão que neles deixamos será   tão difícil de apagar como esses amassados.
Assim aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente.
Quando sinto vontade de estourar, lembro deste papel amassado.
A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar.
Quando magoamos com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas muitas vezes é tarde demais.
Alguém disse, certa vez:
"Fale quando tuas palavras sejam tão suaves como o silêncio".


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A VIDA É SONHO (Calderon de la Barca)


  É verdade; pois reprimamos
esta fera condição,
esta fúria, esta ambição,
por se alguma vez sonhamos:
e sim faremos, pois estamos
em mundo tão singular,
que o viver só é sonhar;
e a experiência me ensina
que o homem que vive, sonha
o que é, até despertar.
  Sonha o rei que é rei, e vive
com este engano mandando,
dispondo e governando;
e este aplauso, que recebe
prestado, no vento escreve;
e em cinzas lhe converte
a morte (desdita forte!):
que há quem intente reinar,
vendo que há de despertar
no sonho da morte?
  Sonha o rico em sua riqueza
que mais cuidados lhe oferece;
sonha o pobre que padece
sua miséria e sua pobreza;
sonha o que a amedrontar começa,
sonha o que afana e pretende,
sonha o que agride e ofende,
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
ainda que ninguém o entenda.
  Eu sonho que estou aqui
destas prisões carregado,
e sonhei que em outro estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida? Um frenesí,
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção,
e o maior bem é pequeno:
que toda a vida é sonho,
e os sonhos, sonhos são.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

CORAÇÕES DISTANTES


Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.
Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.
Por outro lado,! o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente.
E por quê?
Porque seus corações estão muito perto.
A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.
Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
- Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
Pense nisso! Quando você for discutir com alguém, lembre-se que o coração não deve tomar parte nisso.
Se a pessoa com quem discutimos não concorda com nossas idéias, não é motivo para gostar menos dela ou nos distanciar, ainda que por instantes.
Quando pretendemos encontrar soluções para as desavenças, vamos falar num tom de voz que nos permita uma aproximação cada vez maior.
(Autor Desconhecido)


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

METADE (Oswaldo Montenegro)


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

domingo, 28 de agosto de 2011

NASRUDIN SEMPRE ESCOLHE ERRADO(Publicado por Rosana Braga)

O Mullah Nasrudin é considerado o grande mestre do sufismo justamente por ter o perfil de um louco, embora ensine -- com sua pretensa loucura -- os verdadeiros segredos da vida. Eis uma de suas histórias.
Todos os dias, Nasrudin ia esmolar na feira e as pessoas adoravam vê-lo fazendo papel de tolo, com o seguinte truque:
Mostravam a ele duas moedas, uma valendo 10 vezes mais que a outra. Nasrudim sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado. Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas e Nasrudim sempre ficava com a menor.
Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudim sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um cando da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.
- O senhor parece ter razão, respondeu Nasrudim. Mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.

MORAL DA HISTÓRIA:
Muitas vezes, precisamos agir como se fôssemos tolos, deixando que pensem que não sabemos o que estamos fazendo. A vida nos possibilita usar esse truque para que alcancemos nossos objetivos sem sermos interrompidos por pessoas que se sentem incomodadas com nossos méritos e se acham espertas demais para "permitir"que nos demos bem sem que nada façam para atrapalhar.


domingo, 21 de agosto de 2011

AS TRÊS PERGUNTAS DO IMPERADOR

Um rei somente poderia continuar a reinar satisfeito sem o risco de cometer alguma falha, se conseguisse a resposta para as seguintes perguntas: Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa? Quais pessoas mais importantes com quem trabalhar? E qual a coisa mais importante a ser feita?
O imperador publicou uma declaração, dizendo dar um alto prêmio àquele que fosse capaz de responder às perguntas. Inúmeras pessoas se dirigiram ao palácio oferecendo diferentes respostas. Como nenhuma das respostas satisfez ao imperador, nenhum prêmio foi concedido.
Após refletir por várias noites, o imperador decidiu sair à procura de um eremita que vivia na montanha, e que diziam ser um homem iluminado. Sabia-se que ele jamais deixara a montanha e não recebia ricos nem poderosos, apenas os pobres. Ainda assim, o imperador decidiu ir ao seu encontro para fazer-lhe as três perguntas. Disfarçado de camponês, o imperador ordenou aos seus criados que esperassem ao pé da montanha enquanto ele subia sozinho.
Ao chegar ao lugar em que vivia o eremita, o imperador viu-o lavrando a terra da horta em frente à sua pequena cabana. Ao avistar o forasteiro, o eremita acenou-lhe com a cabeça, continuando a capinar. O trabalho era bastante duro para um homem daquela idade, e toda vez que enterrava a enxada na terra para revolve-la, um profundo suspiro acompanhava seu movimento. Acercando-se dele, o imperador falou:
- Vim até aqui para pedir a sua ajuda. Quero que me responda três perguntas: Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa? Quais pessoas mais importantes com quem trabalhar? E qual a coisa mais importante a ser feita?
O eremita ouviu-o atentamente mas não respondeu. Deu uma palmadinha amistosa no ombro do forasteiro e continuou seu trabalho. O imperador então disse:
- Você deve estar cansado, deixe-me dar uma mão ao seu trabalho.
Agradecendo, o eremita passou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar. Depois de ter cavado dois canteiros, o imperador parou e voltando-se para o eremita, repetiu suas três perguntas. Ao invés de responder, o eremita levantou-se e apontando para a enxada disse:
- Porque não descansa agora? Eu posso retomar o meu trabalho de novo.
Mas o imperador não lhe passou a enxada e continuou a cavar. Assim se passaram as horas até que o sol começou a se esconder atrás da montanha. O imperador colocou a enxada de lado e falou ao eremita:
- Eu vim aqui para ver se você era capaz de responder minhas três perguntas. Mas se não puder responde-las, por favor, me diga, para assim eu voltar para casa.
Levantando a cabeça, o eremita perguntou:
- Está ouvindo os passos de alguém correndo ali adiante?
O imperador voltou a cabeça e, de repente, a frente de ambos, surgiu um homem com longa barba branca. Ofegante, o homem tentava cobrir com as mãos o sangue que escorria do ferimento no estômago, avançando em direção ao imperador, antes de tombar ao chão, inconsciente. Abrindo a camisa do homem, o imperador e o eremita viram que ele havia recebido um corte profundo. O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para atá-la, mas o sangue empapou-a inteira depois de poucos minutos. O imperador então enxaguou a camisa, enfaixando a ferida pela segunda vez, assim continuando até parar de sangrar. Ao recobrar os sentidos, o homem pediu água. O imperador foi até o rio e trouxe-lhe uma cumbuca de água fresca. Nesse meio tempo a noite já havia descido e o frio se fazia sentir. O eremita ajudou o imperador a carregar o homem até a cabana onde o deitaram sobre a cama.o homem fechou os olhos e adormeceu. Esgotado por ter passado o dia escalando a montanha e capinando a terra, o imperador encostou-se contra a porta de entrada e adormeceu. Quando despertou, o dia já estava claro. Por um momento, não se lembrava onde estava e para que tinha ido até ali. Esfregou os olhos e viu o homem ferido que, deitado, também olhava confuso ao redor. Ao ver o imperador, o homem fixou-o, murmurando com voz fraca:
- Perdoe-me, por favor.
- O que você fez para que eu o perdoasse? Respondeu o imperador.
- Vossa Majestade não me conhece mas eu o conheço. Eu era seu inimigo declarado e tinha jurado me vingar por meu irmão ter sido morto na guerra e por minhas propriedades terem sido confiscadas. Quando soube que V. M. vinha sozinho at;é aqui, resolvi surpreende-lo no seu caminho de volta, e mata-lo. Como não consegui vê-lo após ficar escondido por horas a fio, decidi sair a sua procura. Mas ao invés de encontrar V. M., dei com seus criados que me reconheceram e me feriram. Felizmente consegui escapar e correr at;e aqui. Seu eu não o tivesse encontrado, estaria certamente morto agora. Eu tencionava mata-lo e V. M. salvou minha vida. Não tenho palavras para expressar o quanto estou envergonhado e agradecido. Se eu conseguir me recuperar, juro ser seu servo pelo resto de minha vida e o mesmo ordenarei aos meus filhos e netos. Por favor, dê-me o seu perdão.
O imperador sentiu uma extraordinária satisfação por ver que havia se reconciliado com um ex-inimigo, tão facilmente. Não só lhe perdoou como também prometeu devolver-lhe todas as propriedades e mandar seu próprio médico e criados tratarem-no até que se recuperasse totalmente. Depois de ordenar aos criados que acompanhassem o homem até seu lar, o imperador voltou a ver o eremita. Queria antes de retornar ao palácio, repetir suas três perguntas, uma última vez. Encontrou o eremita agachado, semeando a terra que haviam preparado no dia anterior. Este, após ouvir novamente as perguntas do imperador, disse:
- Mas suas perguntas já foram respondidas.
- Como assim? – indagou o imperador intrigado.
- Ontem, se V. M. não se tivesse compadecido de mim e me ajudado a cavar a terra, teria sido assassinado por aquele homem ao voltar para casa. Portanto, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve cavando os canteiros, a pessoa mais importante fui eu, e a coisa mais importante a fazer foi me ajudar. Mais tarde, quando o homem ferido apareceu, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve tratando de seu ferimento, pois sem o seu socorro ele teria morrido e V. M. teria perdido a chance de reconciliar-se com ele. Da mesma forma, ele foi a pessoa mais importante, e a coisa mais importante foi cuidar de seu ferimento. Lembre-se de que só existe um tempo importante e esse tempo é o agora. O presente é o único tempo sobre o qual temos domínio. A pessoa mais importante é aquela que está à sua frente. E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz.
(Leon Tolstoi - Tirado do livro Para Viver em Paz: o Milagre da Mente Alerta de Thich Nhât Hanh – Ed. Vozes)