quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O ESPELHO


- Dr. Papaderos, qual o significado da vida?
Seguiu-se a risada habitual e as pessoas se mexeram nas cadeiras, querendo ir embora.
Papaderos levantou a mão, silenciando a sala, e me olhou por um longo tempo, perguntando com os olhos se eu estava falando sério e vendo nos meus que eu estava.
- Vou responder à sua pergunta.
Ele tirou a carteira do bolso da calça, pôs a mão dentro da divisória de couro e pegou um espelho redondo bem pequeno, mais ou menos do tamanho de uma moeda de vinte e cinco centavos.
Disse então o seguinte:
Quando eu era pequeno, durante a guerra, éramos muito pobres e vivíamos em um vilarejo distante. Certo dia, na estrada, encontrei os pedaços partidos de um espelho. Uma motocicleta alemã tinha se acidentado naquele lugar.
- Tentei encontrar todos os pedaços e juntá-los, mas não era possível. Então guardei só o pedaço maior. Este aqui, que esfreguei em uma pedra, fazendo-o ficar redondo. Comecei a brincar com ele e fiquei fascinado ao descobrir que podia refletir a luz em lugares escuros, onde o sol nunca brilhava: em buracos profundos, fendas e armários. Aquilo virou um jogo para mim, levar luz aos lugares mais inacessíveis que conseguia encontrar.
- Guardei o espelhinho e, à medida que ia crescendo, eu o tirava do bolso nos momentos em que não estava fazendo nada e continuava com o desafio do jogo. Quando virei homem, comecei a entender que aquilo não era só uma brincadeira de criança, mas uma metáfora para o que eu poderia fazer com a minha vida. Acabei percebendo que não sou a luz ou a fonte de luz. Porque a luz — a verdade, a compreensão, o conhecimento — está ali e vai iluminar muitos lugares escuros se eu a refletir.
- Eu sou apenas o fragmento de um espelho do qual não conheço a forma nem toda finalidade. Mesmo assim, com o que tenho, posso refletir a luz nos lugares escuros deste mundo, sobretudo nos corações dos seres humanos, e posso mudar algumas coisas em algumas pessoas. Talvez outras pessoas me vejam fazendo isso e façam o mesmo. E para isso que eu vivo. E este o significado da minha vida.

ROBERT FÜLGHUM
(Retirado do livro “Histórias para Aquecer o Coração dos Adolescentes”)

sábado, 22 de outubro de 2011

A FOLHA DE PAPEL


Quando mais jovem, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva e na menor provocação,   explodia magoando meus amigos.
Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado.
Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas depois de uma explosão de raiva, e me entregou uma folha de papel lisa, dizendo:
- Amasse-a!
Com medo, obedeci e fiz com ela uma bolinha.
- Agora - voltou a dizer-me - deixe-a como estava antes.
É obvio que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentasse, o papel ficou cheio de pregas.
Então, disse-me o professor:
- O coração das pessoas é como esse papel... a impressão que neles deixamos será   tão difícil de apagar como esses amassados.
Assim aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente.
Quando sinto vontade de estourar, lembro deste papel amassado.
A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar.
Quando magoamos com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas muitas vezes é tarde demais.
Alguém disse, certa vez:
"Fale quando tuas palavras sejam tão suaves como o silêncio".


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A VIDA É SONHO (Calderon de la Barca)


  É verdade; pois reprimamos
esta fera condição,
esta fúria, esta ambição,
por se alguma vez sonhamos:
e sim faremos, pois estamos
em mundo tão singular,
que o viver só é sonhar;
e a experiência me ensina
que o homem que vive, sonha
o que é, até despertar.
  Sonha o rei que é rei, e vive
com este engano mandando,
dispondo e governando;
e este aplauso, que recebe
prestado, no vento escreve;
e em cinzas lhe converte
a morte (desdita forte!):
que há quem intente reinar,
vendo que há de despertar
no sonho da morte?
  Sonha o rico em sua riqueza
que mais cuidados lhe oferece;
sonha o pobre que padece
sua miséria e sua pobreza;
sonha o que a amedrontar começa,
sonha o que afana e pretende,
sonha o que agride e ofende,
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
ainda que ninguém o entenda.
  Eu sonho que estou aqui
destas prisões carregado,
e sonhei que em outro estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida? Um frenesí,
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção,
e o maior bem é pequeno:
que toda a vida é sonho,
e os sonhos, sonhos são.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

CORAÇÕES DISTANTES


Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.
Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.
Por outro lado,! o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente.
E por quê?
Porque seus corações estão muito perto.
A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.
Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
- Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
Pense nisso! Quando você for discutir com alguém, lembre-se que o coração não deve tomar parte nisso.
Se a pessoa com quem discutimos não concorda com nossas idéias, não é motivo para gostar menos dela ou nos distanciar, ainda que por instantes.
Quando pretendemos encontrar soluções para as desavenças, vamos falar num tom de voz que nos permita uma aproximação cada vez maior.
(Autor Desconhecido)


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

METADE (Oswaldo Montenegro)


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente
Complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

domingo, 28 de agosto de 2011

NASRUDIN SEMPRE ESCOLHE ERRADO(Publicado por Rosana Braga)

O Mullah Nasrudin é considerado o grande mestre do sufismo justamente por ter o perfil de um louco, embora ensine -- com sua pretensa loucura -- os verdadeiros segredos da vida. Eis uma de suas histórias.
Todos os dias, Nasrudin ia esmolar na feira e as pessoas adoravam vê-lo fazendo papel de tolo, com o seguinte truque:
Mostravam a ele duas moedas, uma valendo 10 vezes mais que a outra. Nasrudim sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado. Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas e Nasrudim sempre ficava com a menor.
Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudim sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um cando da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.
- O senhor parece ter razão, respondeu Nasrudim. Mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.

MORAL DA HISTÓRIA:
Muitas vezes, precisamos agir como se fôssemos tolos, deixando que pensem que não sabemos o que estamos fazendo. A vida nos possibilita usar esse truque para que alcancemos nossos objetivos sem sermos interrompidos por pessoas que se sentem incomodadas com nossos méritos e se acham espertas demais para "permitir"que nos demos bem sem que nada façam para atrapalhar.


domingo, 21 de agosto de 2011

AS TRÊS PERGUNTAS DO IMPERADOR

Um rei somente poderia continuar a reinar satisfeito sem o risco de cometer alguma falha, se conseguisse a resposta para as seguintes perguntas: Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa? Quais pessoas mais importantes com quem trabalhar? E qual a coisa mais importante a ser feita?
O imperador publicou uma declaração, dizendo dar um alto prêmio àquele que fosse capaz de responder às perguntas. Inúmeras pessoas se dirigiram ao palácio oferecendo diferentes respostas. Como nenhuma das respostas satisfez ao imperador, nenhum prêmio foi concedido.
Após refletir por várias noites, o imperador decidiu sair à procura de um eremita que vivia na montanha, e que diziam ser um homem iluminado. Sabia-se que ele jamais deixara a montanha e não recebia ricos nem poderosos, apenas os pobres. Ainda assim, o imperador decidiu ir ao seu encontro para fazer-lhe as três perguntas. Disfarçado de camponês, o imperador ordenou aos seus criados que esperassem ao pé da montanha enquanto ele subia sozinho.
Ao chegar ao lugar em que vivia o eremita, o imperador viu-o lavrando a terra da horta em frente à sua pequena cabana. Ao avistar o forasteiro, o eremita acenou-lhe com a cabeça, continuando a capinar. O trabalho era bastante duro para um homem daquela idade, e toda vez que enterrava a enxada na terra para revolve-la, um profundo suspiro acompanhava seu movimento. Acercando-se dele, o imperador falou:
- Vim até aqui para pedir a sua ajuda. Quero que me responda três perguntas: Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa? Quais pessoas mais importantes com quem trabalhar? E qual a coisa mais importante a ser feita?
O eremita ouviu-o atentamente mas não respondeu. Deu uma palmadinha amistosa no ombro do forasteiro e continuou seu trabalho. O imperador então disse:
- Você deve estar cansado, deixe-me dar uma mão ao seu trabalho.
Agradecendo, o eremita passou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar. Depois de ter cavado dois canteiros, o imperador parou e voltando-se para o eremita, repetiu suas três perguntas. Ao invés de responder, o eremita levantou-se e apontando para a enxada disse:
- Porque não descansa agora? Eu posso retomar o meu trabalho de novo.
Mas o imperador não lhe passou a enxada e continuou a cavar. Assim se passaram as horas até que o sol começou a se esconder atrás da montanha. O imperador colocou a enxada de lado e falou ao eremita:
- Eu vim aqui para ver se você era capaz de responder minhas três perguntas. Mas se não puder responde-las, por favor, me diga, para assim eu voltar para casa.
Levantando a cabeça, o eremita perguntou:
- Está ouvindo os passos de alguém correndo ali adiante?
O imperador voltou a cabeça e, de repente, a frente de ambos, surgiu um homem com longa barba branca. Ofegante, o homem tentava cobrir com as mãos o sangue que escorria do ferimento no estômago, avançando em direção ao imperador, antes de tombar ao chão, inconsciente. Abrindo a camisa do homem, o imperador e o eremita viram que ele havia recebido um corte profundo. O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para atá-la, mas o sangue empapou-a inteira depois de poucos minutos. O imperador então enxaguou a camisa, enfaixando a ferida pela segunda vez, assim continuando até parar de sangrar. Ao recobrar os sentidos, o homem pediu água. O imperador foi até o rio e trouxe-lhe uma cumbuca de água fresca. Nesse meio tempo a noite já havia descido e o frio se fazia sentir. O eremita ajudou o imperador a carregar o homem até a cabana onde o deitaram sobre a cama.o homem fechou os olhos e adormeceu. Esgotado por ter passado o dia escalando a montanha e capinando a terra, o imperador encostou-se contra a porta de entrada e adormeceu. Quando despertou, o dia já estava claro. Por um momento, não se lembrava onde estava e para que tinha ido até ali. Esfregou os olhos e viu o homem ferido que, deitado, também olhava confuso ao redor. Ao ver o imperador, o homem fixou-o, murmurando com voz fraca:
- Perdoe-me, por favor.
- O que você fez para que eu o perdoasse? Respondeu o imperador.
- Vossa Majestade não me conhece mas eu o conheço. Eu era seu inimigo declarado e tinha jurado me vingar por meu irmão ter sido morto na guerra e por minhas propriedades terem sido confiscadas. Quando soube que V. M. vinha sozinho at;é aqui, resolvi surpreende-lo no seu caminho de volta, e mata-lo. Como não consegui vê-lo após ficar escondido por horas a fio, decidi sair a sua procura. Mas ao invés de encontrar V. M., dei com seus criados que me reconheceram e me feriram. Felizmente consegui escapar e correr at;e aqui. Seu eu não o tivesse encontrado, estaria certamente morto agora. Eu tencionava mata-lo e V. M. salvou minha vida. Não tenho palavras para expressar o quanto estou envergonhado e agradecido. Se eu conseguir me recuperar, juro ser seu servo pelo resto de minha vida e o mesmo ordenarei aos meus filhos e netos. Por favor, dê-me o seu perdão.
O imperador sentiu uma extraordinária satisfação por ver que havia se reconciliado com um ex-inimigo, tão facilmente. Não só lhe perdoou como também prometeu devolver-lhe todas as propriedades e mandar seu próprio médico e criados tratarem-no até que se recuperasse totalmente. Depois de ordenar aos criados que acompanhassem o homem até seu lar, o imperador voltou a ver o eremita. Queria antes de retornar ao palácio, repetir suas três perguntas, uma última vez. Encontrou o eremita agachado, semeando a terra que haviam preparado no dia anterior. Este, após ouvir novamente as perguntas do imperador, disse:
- Mas suas perguntas já foram respondidas.
- Como assim? – indagou o imperador intrigado.
- Ontem, se V. M. não se tivesse compadecido de mim e me ajudado a cavar a terra, teria sido assassinado por aquele homem ao voltar para casa. Portanto, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve cavando os canteiros, a pessoa mais importante fui eu, e a coisa mais importante a fazer foi me ajudar. Mais tarde, quando o homem ferido apareceu, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve tratando de seu ferimento, pois sem o seu socorro ele teria morrido e V. M. teria perdido a chance de reconciliar-se com ele. Da mesma forma, ele foi a pessoa mais importante, e a coisa mais importante foi cuidar de seu ferimento. Lembre-se de que só existe um tempo importante e esse tempo é o agora. O presente é o único tempo sobre o qual temos domínio. A pessoa mais importante é aquela que está à sua frente. E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz.
(Leon Tolstoi - Tirado do livro Para Viver em Paz: o Milagre da Mente Alerta de Thich Nhât Hanh – Ed. Vozes)

domingo, 14 de agosto de 2011

A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

Zeca, de 8 anos, entrou em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no chão. O pai, que estava indo para o quintal, ao ver aquilo, chamou o menino para uma conversa. Zeca o acompanhou, desconfiado.
Antes que seu pai dissesse alguma coisa, ele falou irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo.
Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escutou o filho que continuava a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Gostaria que  algo bem ruim acontecesse com ele!
O pai escutou tudo calado enquanto  caminhava para pegar um saco de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal  e o menino o acompanhou. E, antes mesmo que Zeca pudesse fazer alguma pergunta, o pai fez uma proposta:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão  é um mau pensamento seu, enviado a ele. Quero que você jogue todo esse  carvão na camisa, até o último pedaço. Já, já eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida. A camisa estava pendurada longe e poucos pedaços acertavam o alvo.
O pai que espiava tudo, perguntou:
- Filho como está agora?
- Estou cansado, mas alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olhou para o menino, que não entendeu a razão daquela brincadeira, e falou:
- Venha, quero lhe mostrar uma coisa.
O filho foi até o quarto e se viu na frente de um grande espelho. Que susto! Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos.
O pai, então, lhe disse:
- Você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você. O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, os resíduos, a fuligem fica sempre em nós mesmos.
Pense nisso!

(autor desconhecido)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

TRECHOS DE SHAKESPEARE

“Não pode haver couraça mais forte do que um coração limpo. Está três vezes mais armado quem defende a causa justa, ao passo que está nu, ainda que de aço revestido, o indivíduo de consciência manchada por ciúmes e injustiças”.
(Henrique VI)

“É esta a maravilhosa tolice do mundo: quando as coisas não nos correm bem – muitas vezes por culpa de nossos próprios excessos – pomos a culpa de nossos desastres no sol, na lua e nas estrelas, como se fôssemos celerados por necessidade, tolos por compulsão celeste, velhacos, ladrões e traidores pelo predomínio das esferas; bêbados, mentirosos e adúlteros, pela obediência forçosa a influências planetárias, sendo toda nossa ruindade atribuída à influência divina... Ótima escapatória para o homem, esse mestre da devassidão, responsabilizar as estrelas por sua natureza de bode”.
( Rei Lear).

sábado, 30 de julho de 2011

TRECHOS DO TAO TE KING de LAO TSE

"A bondade superior é como a água.
A água favorece todas as coisas e a nenhuma exclui.
Permanece nos lugares desprezados pelos outros
por isso se assemelha ao sábio.
No viver é que acha a felicidade da vida;
No pensar se assemelha ao abismo profundo;
Na bondade, se harmoniza com todos.
Nas palavras é sincero.
No governar equilibrado.
No trabalho age com retidão.
Para caminhar, encontra o melhor momento;
Sendo assim, não cria a rivalidade,
E a maldade fica esquecida."

"Nos velhos tempos o perfeito homem do TAO
era sutil, sagaz e tão profundo que dificilmente
pode ser compreendido.
Porque não pode ser compreendido tratei por descrevê-lo:
Ele é cauteloso, como quem atravassa um rio no inverno;
É prudente como quem teme seus vizinhos;
É reservado, como alguém que é hóspede;
É complacente, como o gelo prestes a derreter-se;
É simples como a madeira não trabalhada;
É acolhedor como os vales profundos;
É discreto como a água turva.
Quem é capaz de purficar a escuridão até que se torne claridade?
Quem é capaz de acalmar o confuso até que ele se esclareça?
Quem é capaz de apressar o estagnado até que aos poucos
ele progrida?
Quem segue esses princípios não alberga desejos,
e porque não alberga desejos, quando decai pode renovar-se."

"O bom guerreiro só é guiado pelo desejo de servir e se detém.
Não se atreve a confiar no poder das armas.
Uma vez cumprido seu propósito, não se jacta.
Uma vez cumprido seu propósito, não se glorifica.
Uma vez cumprido seu propósito, não se orgulha.
Vence porque não pode menos, Mas não para engradecer-se."

"Aquele que conhece os outros é sábio;
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte;
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece o contentamento é rico.
Aquele que conserva seu curso com energia tem vontade.
Aquele que não se desvia do lugar adequado muito durará.
Aquele que pode morrer, mas Não perecer tem a longevidade."

"O sábio não tem ego que chame  seu próprio ego;
Faz do ego dos outros o seu ego.
Para os bons comporta-se com bondade;
Para os maus também com bondade:
Assim é alcançada a bondade.
Para o fiel porta-se com fé;
Para o infiel, também com fé:
Assim é alcançada a fé.
O sábio vive no mundo com concórdia,
E governa o mundo com simplicidade.
Seja para onde for que os outros voltem seus olhos e ouvidos,
 o Sábio olha como a mãe olha para os filhos."